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Safári na Namíbia: Etosha e Caprivi

A Namíbia possui uma grande diversidade de habitats naturais e land scapes. A paisagem desértica do sul e da costa leste do país vai abrindo passagem para uma vegetação mais densa e verde no centro norte e nordeste. E ainda assim, em meio a atrações tão fantásticas quanto Sossusvlei e Deadvlei, os parques nacionais do Etosha e da região do Caprivi são um show à parte. Tornando-se passagem obrigatória para quem estiver visitando esta ex-colônia alemã.

Visitamos tanto o Parque Nacional do Etosha e a faixa do Caprivi durante nosso mochilão pela Namibia. E vamos contar aqui como foi essa experiência. Segue com a gente nesse post.

Leoa no Etosha

Leoa no Etosha

Etosha National Park

O Etosha National Park é a atração turística número 1 da Namíbia. O parque foi estabelecido como Game Reserve No 2 em 1907, com seus originais 90.000 km2, a maior reserva natural do mundo. Porém, com o passar dos anos as fronteiras foram diminuindo e hoje o parque possui 22.912 km2 (ainda assim é enorme). Em 1958 o parque foi renomeado como Etosha National Park e ganhou o status de parque nacional em 1967.

O parque recebeu este nome, Etosha, devido a grande área branca, chamada de Etosha Pan, que fica dentro da reserva e pode ser vista até do espaço. A paisagem lembra um pouco a do Salar de Uyuni, na Bolívia. Nos meses chuvosos, quando fica com uma fina camada d’água, forma-se um grande espelho natural.

Zebras no Etosha

Zebras no Etosha

O primeiro safári oficial ocorreu em 1946. O parque possui 114 espécies de mamíferos, incluindo leões, leopardos, rinocerontes brancos e pretos. Sendo este último ameaçado de extinção. 😔

Nosso plano original era de passar somente dois dias no Etosha. Mas devido ao problema de super aquecimento que tivemos com nosso carro, o Uva, nós acabamos ficando por três dias. E no final foi ótimo. Pois foi somente no terceiro dia que vimos leões. Na verdade foram 4 leoas que estavam deitadas próximas a um lago artificial onde os animais vão para se refrescar.

Aliás, o parque criou vários pequenos lagos artificiais, chamados de “waterhole”, para que os animais possam se refrescar, principalmente, nos meses de seca. E estes lugares são ótimos pontos para avistar todos os tipos de bichos. São diversos pontos espalhados pelo parque.

Elefante se refrescando em um dos diversos waterholes espalhados pelo Etosha

Alguns viajantes definem o Etosha como um grande zoológico, e não deixa de ser verdade. Diferente dos parques da Botswana, que não possuem cercas, aqui os animais são vistos com mais facilidade garças a esses waterholes articiais. MAS, de todo modo, o parque é uma maneira de preservar a vida selvagem e uma grande chance de ver os animais de perto.

Nosso roteiro no Etosha

Como estávamos vindo de Swakopmund, nós entramos pelo Anderson Gate, que fica próximo ao Camp de Okaukuejo. O parque possui 5 Camps e todos eles possuem acomodação (opções de camping e quartos), bar, restaurante, um pequeno mercado e posto para abastecimento.

E bem próximo ao restaurante do Okaukuejo fica um dos waterholes mais “bem frequentados” do parque. Há um muro artificial onde as pessoas podem ficar observando os bichos e bebendo uma cerveja gelada. Por ali é comum serem vistos todos os tipos de cervos, zebras, girafas, muitos elefantes e até leões. Ouvimos até um relato sobre um turista italiano que foi atacado e morto por um leão nas proximidades deste waterhole 😳

Outra leoa…

Mais zebras…

MAIS zebras…rs

Nos primeiros dois dias nós dirigimos pela redondeza de Okaukuejo. E no terceiro dia nós atravessamos o parque em direção a Namutoni, já do lado oeste. Pois iríamos dali para o Caprivi. Infelizmente não vimos tantos animais no caminho quanto vimos próximo a Okaukuejo.

Fizemos um self-drive safári. Dirigimos nosso pequeno carro sedan (o Uva), em todos os dias que passamos no parque. Mas é possível contratar um safári com o próprio parque ou em um dos inúmeros lodges e hotéis que ficam na região.

As estradas são em sua maioria de terra. Mas transitáveis sem maiores problemas para carros pequenos.

Órix

Gnus

Dezenas de impalas e elefantes

Quando Visitar

Depende de seu objetivo. Os meses de inverno (maio-outubro), são os meses de seca e são ótimos para avistar os grandes animais. Pois a vegetação está baixa, facilitando vê-los, e porque muitos bichos se agrupam próximos aos waterholes para beber água. Estes meses também são os meses de alta estação. Portanto, caso você deseje se hospedar em um dos camps dentro do parque, reserve com antecedência.

Os meses de verão (novembro-abril) são também os meses de chuva. O parque se pinta de verde e a temperatura pode chegar até os 40 graus! São os melhores meses para avistar pássaros. Alguns deles vindo inclusive da Europa. A Etosha Pan se enche de flamingos e de pássaros que gostam dessas áreas alagadas.

O sol se pondo no Etosha

Como chegar e onde se hospedar

O parque possui vários portões, mas os mais usados são o Anderson’s Gate, próximo à Okaukuejo, e o Von Lindequist Gate, próximo à  Namutoni. Ligando as cidades de Outjo e Tsumeb respectivamente.

O próprio parque possui diversas opções de acomodação, mas nós optamos por acampar em lodges próximos aos portões, por terem preços mais atrativos.

Nos hospedamos no Taleni Etosha Village Campsite e no Gondwana Etosha Safari Camp, próximos do Anderson’s Gate. Mas caso você queira fazer o sunset ou o sunrise safári você deverá, obrigatoriamente, ficar alojado dentro do parque. Visto que os portões abrem depois do sol nascer e fecham antes dele se pôr.

Quanto Custa e horário dos portões

💰  A entrada para o parque custa NAD 80,00 ou USD 6,00 por pessoa, mais NAD 10,00 ou USD 0,75 referente ao carro. Nós fizemos um self-drive safári com o carro que havíamos alugado. Mas você pode fazer um safári com o pessoal do parque. O valor médio é de NAD 600,00 ou USD 45,00 por pessoa.

Os horários de abertura e fechamento dos portões variam de acordo com a hora em que o sol nasce e se põe. Veja aqui a relação completa para o ano todo.

Um dos portões de entrada do Etosha

Um dos portões de entrada do Etosha

A Faixa do Caprivi ou Zambeze

O Caprivi fica na parte norte do país. Se você olhar para o mapa da Namíbia, lá em cima, aquela “tripinha” entre Angola, Botswana e a Zâmbia é a chamada região de Caprivi ou do Zambeze, como atualmente vem sendo tratada.

Esta parte do país não pertencia à Namíbia até a ocupação alemã. Mas foi reivindicada devido ao interesse alemão no acesso ao rio Zambeze e, consequentemente, ao Oceano Índico na costa leste do continente. O que serviria como via de ligação com sua outra colônia na África Oriental, a Tanganyaka, atualmente Tanzânia. O tratado foi firmado entre a Alemanha, então império colonial que dominava a Namíbia, e a Inglaterra em 1890. Contudo, o acesso para o Oceano Índico se mostrou um tanto quanto difícil devido à existência da Victoria Falls no caminho…hahaha 😂

Nesta parte da Namíbia a paisagem muda completamente, se torna mais verde (e olha que lá estivemos no período da seca). Isso se explica devido à presença dos rios Kavango, que logo mais abaixo vai formar o famoso Okavango Delta em Botswana, o Zambeze, que corta boa parte da África Austral, o Kwando, que faz uma fronteira natural com Angola, e o Chobe que desce para Botswana.

Esta pequena faixa de terra que tem 450km de extensão e aproximadamente 30km de largura, possui 3 parques nacionais cheios de vida e exuberância: o Bwabwata National Park, o Mudumu National Park e o Nkasa Rupara National Park.

Nosso roteiro pelo Caprivi

Todos os parques do Caprivi são ricos em vida selvagem, sendo possível avistar elefantes, leões, leopardos, búfalos, hipopótamos, antílopes, zebra, girafas. Enfim, uma infinidade de animais. A grande vantagem desta região com relação ao Etosha é que no Caprivi, devido a presença dos diversos rios, é possível fazer os “Boats safaris”, passeios de barcos onde se pode ver diversos animais de dentro do barco, além de um visual super bonito no pôr do sol.

Por ali nós conhecemos  a Popa Falls, que na verdade não tem muito de fall (cachoeira), está mais para uma corredeira de água doce. Que não deixa de ser bacana para dar uma refrescada no calorão. Depois fomos fazer um self-drive safári no Mahango, que faz parte do Bwabwata National Park, formado em 2007. Elefantes, zebras, girafas, búfalos, hipopótamos, crocodilos, antílopes, leões e leopardos são os animais que podem ser vistos no parque.

Elefante no Caprivi

Aliás, essa é a única região do país onde é possível ver búfalos. Logo, caso você queria ver todos os 5 Big Five (grupo de grande mamíferos africanos formado pelo elefante, rinoceronte, leão, leopardo e búfalo) em sua visita à Namibia, você terá que obrigatoriamente passar por aqui.

Nossa passagem pela faixa do Zambeze fechou com chave de ouro nosso mochilão pela Namíbia. E nos apresentou uma parte super verde do país que, até então, não tínhamos conhecido.

Quando Visitar

Assim como no Etosha, os meses de inverno (maio-outubro), são os meses de seca e são ótimos para avistar os grandes animais, pois a vegetação está baixa, facilitando vê-los, e porque muitos bichos se agrupam próximos aos waterholes e ao rio para beber água.

Os meses de verão (novembro-abril) são os meses de chuva e são meses bons para avistar pássaros.

Nos meses mais secos a vegetação fica mais propícia para avistar os animais

Nos meses mais secos a vegetação fica mais propícia para avistar os animais

Como chegar e onde se hospedar

O parque fica a 24km de Divundu chegando pela D3403. Possui uma via de 15km acessível para carros convencionais, mas as demais vias do parque são acessíveis somente por 4×4.

Nós nos hospedamos no Mukuku Rest Camp, já próximo à Rundu e um pouco afastado do Mahango, por indicação de uma outra pessoa e por já ficar no caminho de volta que teríamos que fazer. O lugar é muito legal e fica nas bordas do Kwando, que separa a Namíbia de Angola. Mas existem diversas opções de lodges e camping sites no caminho do parque.

Quanto Custa

💰  Valor para visitar o Mahango Park NAD 30,00 ou USD 2,20 por pessoa mais NAD 10,00 ou USD 0,75 referente ao carro.

Nós adoramos os dias que passamos na Namíbia. Um país cheio de atrativos e que também tem espaço para quem quer viajar de maneira independente. Veja abaixo nossa sequência de posts sobre este lindo país:

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