Kolmanskop, a cidade fantasma da Namíbia

A Namíbia é um país imenso e repleto de atrações para todos os gostos. Desde cânions, desertos, vida selvagem, incluindo praias e lagos. São muitos os atrativos que o país tem a oferecer. E em nossa viagem de 15 dias pela Namíbia nós aproveitamos para conhecer a cidade fantasma de Kolmanskop, que fica pertinho de Luderitz.

Veja nesse post o relato completo que fizemos sobre Kolmanskop, incluindo valores, fotos, vídeos e uma breve história sobre esta, que foi uma das cidades mais ricas do mundo na década de 20.

Kolmanskop na Namíbia

A cidade fantasma de Kolmanskop, na Namíbia

História de Kolmanskop

Em 1908, Zacherias Lewala, um funcionário ferroviário que limpava a areia dos trilhos, encontrou algumas pedrinhas interessantes pelo caminho, em um dia comum de trabalho. Ele levou-as para August Stauch, seu inspetor, que logo pediu aos demais trabalhadores que trouxessem todos os objetos incomuns que encontrassem nas proximidades. Assim que ele reuniu um número considerável de pedras, levou-as até Luderitz para obter a opinião de um especialista. E não é que as tais pedras eram diamantes? 😱

Quando os rumores da descoberta, no que era então conhecido como German South-West Africa (África Alemã do Sudoeste), chegaram à Cape Town, ninguém levou fé, acharam que o boato era bom demais para ser verdade. Aliás, esta região inóspita e desolada, do que hoje é a Namíbia, foi oferecida ao governo do Cabo em 1885, mas eles recusaram educadamente. Então é claro que em um primeiro momento ninguém acreditou que pedras de diamantes teriam sido encontradas por ali. Eita povo incrédulo! rs

Exterior de um dos prédios abandonados de Kolmanskop

Interior de um dos prédios abandonados de Kolmanskop

O início da exploração

Os depósitos de diamantes mais valiosos do mundo foram encontrados nesta área. Rapidamente todo o terreno disponível nas proximidades de Luderitz foi bloqueado e reivindicado. Trabalhadores organizados em linhas de busca corriam para todos os lados carregando frascos de vidro. Os diamantes eram retirados do chão, na superfície, sem necessidade de escavação. E desta forma os frascos se enchiam rapidamente.

Uma das primeiras corridas para coleta dos diamantes ocorreu no fim do dia. E há relatos que neste mesmo dia os trabalhadores adentraram a noite coletando as pedras, orientados pelo brilho dos diamantes que refletiam a luz do luar.

O surgimento da cidade

Kolmanskop surgiu do boom dos diamantes. A região era administrada pela Alemanha no início do século e a cidade refletiu isso em seu caráter.

No início os alemães disseram que somente depois de terem terminado de construir o bar (nos identificamos muito com esta parte) e o boliche, é que eles começariam a construir suas casas.

O boliche, uma das áreas de lazer para a população que habitava a cidade

O apogeu

Em 1912, a área produziu um milhão de quilates, ou 11,7% da produção mundial de diamantes. Tal riqueza significava que, apesar do clima severo e do isolamento, os mineiros podiam pagar por todo luxo europeu possível.

A cidade tinha um açougue local, uma padaria e até uma agência postal. Uma fábrica de gelo foi estabelecida para fazer blocos de gelo usados em resfriadores de alimentos (que funcionavam como geladeiras), bem como para fabricar a limonada que era servida para toda a cidade. Todas as casas recebiam gratuitamente, todos os dias, água potável e uma barra de gelo.

As ruínas da antiga fábrica de gelo

Casas elaboradas foram construídas para acomodar os arquitetos, professores, médicos e gerentes de mineração da cidade. Um hospital grande empregava dois médicos alemães. Um dos quais era bastante popular por prescrever à seus pacientes um tônico noturno composto por sanduíches de caviar e champanhe. Imagine só!?

A primeira máquina de raio-X do sul da África foi instalada em Kolmankop. Mas seu uso não era necessariamente médico, e sim para averiguar se os trabalhadores não estavam carregando diamantes em seus corpos.

Hospital abandonado de Kolmanskop

Para os habitantes também não faltavam entretenimento. Um especialista alemão foi trazido para projetar e supervisionar a construção de um magnífico salão, que possuía uma acústica incrível. A própria mina pagou para que algumas companhias de ópera fossem enviadas da Europa para se apresentar ali. O salão também foi usado pela orquestra local, por um grupo de teatro e pela equipe de ginástica da cidade.

Em seu apogeu, a cidade parecia muito diferente. A água doce era importada de Cape Town, em navios, e depois bombeada para tanques de armazenamento. A água cultivava jardins exuberantes com gramados bem cuidados, camas de rosa e eucaliptos.

O declínio

A Primeira Guerra Mundial interrompeu as operações de mineração. A retomada da mineração após a guerra levou ao lento esgotamento dos depósitos. No início dos anos 30, a área estava em declínio. Foi então que novas jazidas mais lucrativas foram encontradas no sul do país e muitos dos habitantes da cidade se mudaram para lá, deixando suas casas e suas posses para trás. Kolmanskop até que manteve certa importância como depósito de mantimentos para outras operações de mineração. Mas este tempo também passou, uma vez que tornou-se mais fácil trazer suprimentos da África do Sul. As últimas três famílias finalmente deixaram a cidade em 1956.

As areias do deserto que eram varridas todas as manhãs agora se juntam sem obstáculos. O deserto invade os edifícios, preenchendo gradualmente os aposentos vazios. As casas ainda estão em pé, mas algumas delas estão sendo sustentadas pelas dunas. Os telhados estão gradualmente sendo descobertos e os vidros estraçalhados com o avançar do tempo.

Kolmanskop hoje

Um museu foi estabelecido em 1980 e exibe instrumentos de mineração antigos e uma extensa coleção de fotografias dos dias de glória da cidade. Alguns prédios, assim como o salão de festas e o boliche, foram restaurados para visitação.

Vídeo

Horários

As visitas podem ser feitas todos os dias das 8h às 13h. Sendo que as visitas guiadas, em inglês e alemão, ocorrem às 9h30m e às 11h nos dias de semana e às 10h nos domingos e feriados.

Quanto Custa

💰  O valor do ticket para adultos é de NAD 85,00 ou USD 6,30 por pessoa. E neste valor está incluída a visita guiada.

Existem 3 tipos de tickets disponíveis para compra. E você pode comprá-los na própria bilheteria ou na cidade de Luderitz. Veja:

  • Photo Permit

O nome assusta, mas não se preocupe. Fotos não comerciais podem ser tiradas usando qualquer tipo de ticket. A chamada Photo Permit (autorização para foto) na verdade trata-se de uma entrada antecipada / estendida. Esta licença permite que você entre em Kolmanskop pouco antes do nascer do sol, fique por lá o dia todo e permaneça após o pôr do sol. A visita guiada às 9h30 também está incluída no Photo Permit.

  • Adultos

O ticket para adultos permite a entrada em Kolmanskop entre às 9h e 13h. O ticket inclui uma visita guiada, que pode ser realizada às 9h30 ou às 11h00, de segunda a sábado. As visitas guiadas aos domingos estão disponíveis às 10h da manhã.

  • Crianças

Crianças entre 6 a 14 anos pagam um valor reduzido e menores de 6 anos de idade entram de graça.

Lembre-se do Seguro Viagem!

O seguro viagem é indispensável em uma viagem para a Namíbia. Nossa sugestão é fazer uma boa busca através da Segurospromo, um site que compara preços e te apresenta uma série de opções de seguro, aí é só escolher a melhor opção para seu tipo de viagem. E utilizando nosso código CASALWANDERLUST5 você ainda ganha 5% de desconto na hora!

Quando Visitar

Nós visitamos a Namíbia em outubro e achamos excelente, já que não pegamos nem tanto frio e nem aquele calorão de 50 graus! Veja neste post os melhores meses para visitar a Namíbia.

Ainda hoje poucas informações sobre Namíbia estão disponíveis na internet. Por isso escrevemos essa sequência de posts sobre as nossas andanças pelo país. Esperamos que nossos relatos possam ajudar outros viajantes 😊

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6 Comentários

  1. Oi, gostaria de tirar uma dúvida: li em alguns blogs que é preciso autorização para visitar a cidade fantasma. Essa autorização se consegue na hora, no local mesmo? Iremos num domingo. Funciona aos domingos? Obrigado!

  2. Sensacional a viagem de vocês, estou programando ir agora em setembro 2020 com minha esposa, uma pergunta , acredito que durante grande parte desses deslocamentos não tem sinal de celular certo ? Vocês chegaram a verificar alguma opção de celular via satelite para alguma emergência ? Ou foram na cara e coragem mesmo ? Eu fico imaginando se acontecer alguma coisa, como carro quebrar por exemplo, ou até mesmo um acidente no meio do deserto como funcionaria para pedir socorro, teria que aguardar alguem passar? hehe

    Valeu! Obrigado!

    • Olá Geraldo, tudo bem?
      Nós optamos pela opção B. Ou seja, fomos com a cara e a coragem, sem nenhum telefone via satélite…rs

      No começo nós também tínhamos essas mesmas preocupações e inseguranças, isso tudo faz parte. Mas com o avançar da viagem fomos ganhando mais confiança e perdendo mais o juízo, digamos…rs

      Sempre dá tudo certo 😉
      Acho que essa é a maior lição que tiramos desses quase 3 anos de viagem.

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