Casal Wanderlust

Marrocos: roteiro de 12 dias pelo país

O Marrocos desperta a curiosidade da maioria dos viajantes, e nós não fugimos à regra. O país sempre esteve no topo da lista dos lugares que mais tínhamos vontade de conhecer. E foi em nossa viagem de volta ao mundo que nós conseguimos tirar este plano, finalmente, do papel.

Veja neste post nosso roteiro de 12 dias pelo país.

Dia 1 – Rabat

Viajar de trem pelo Marrocos é super tranquilo. E esse foi o nosso principal meio de locomoção pelo país. Já no primeiro dia nós pegamos um trem de Casablanca para Rabat. O bilhete custou MAD 37,00 ou USD 3,90 por pessoa e viagem durou em torno de 1h. Chegamos na estação de Rabat e saímos para percorrer a cidade à pé. Fizemos tudo caminhando. 

Nossa primeira parada foi no Royal Palace Dar Al Mahkzen (o Palácio Real). Não se pode entrar nas dependências do Palácio com mochilas nem com câmeras fotográficas profissionais. Porém, também não tem onde deixá-las na entrada…rs. Nós acabamos não entrando e de lá seguimos até a Medina. 

➡️  Veja nosso post completo sobre Rabat clicando aqui.

As Medinas são centros urbanos construídos dentro de muralhas fortificadas. Normalmente são  conhecidas como “a parte velha” das cidades. Este tipo de construção já era feita pelos pelos árabes no século IX. Tem de tudo para vender, desde sapatos, roupas, especiarias, comida e até cabeças de bode.

Torre Hassan

Da Medina nós seguimos caminhando até o Kasbah des Udayas (Casbá dos Udaias) e visitamos também o Farol que fica ali pertinho.

No Kasbah há um mirante com vista para o Oceano Atlântico. E ali na porta você encontrará algumas pessoas se oferendo como guia, mas nós fizemos tudo por conta própria.

Vista do Mirante do Casbá dos Udaias.

Andamos pelas ruazinhas, nos perdemos, mas com a ajuda do APP Maps.me nós nos viramos super bem.

A última atração que visitamos em Rabat foi o Mausoléu de Mohammed V. No mesmo complexo também fica a Torre Hassan (Hassan Tower). O lugar é lindo! Passamos algumas horas por ali, tiramos 500 fotos e voltamos até a estação para pegarmos o trem de volta para Casablanca.

Mausoléu de Mohammed V em RabatMausoléu de Mohammed V

Dia 2 – Casablanca

Conhecer Casablanca normalmente é parte do primeiro ou do último dia de viagem no Marrocos, já muita gente chega ao país por aqui. Conosco não foi diferente. Chegamos no Marrocos através de uma voo da Royal Air Maroc vindo de Nairóbi, no Quênia. Nós deveríamos ter aproveitado Casablanca em nosso primeiro dia na cidade, mas como tivemos um atraso na chegada da mochila do Lázaro acabamos não tendo tempo.

Por isso separamos a manhã do segundo dia no país para explorar a cidade. Casablanca não oferece tantos atrativos, por isso uma manhã foi mais que suficiente para conhecermos os pontos que tínhamos interesse: a Medina e a Mesquita Hassan II.

A Mesquita Hassan II

A Mesquita Hassan II é um momento de fazer qualquer um babar. É linda, imponente e impressionante! Foram mais de 800 MILHÕES de dólares e mais de 10 mil pessoas para colocá-la de pé em 6 anos.

Tudo ali impressiona: o tamanho, os detalhes, a arquitetura. Diferentemente de outras Mesquitas ao redor do mundo, a Hassan II possui arquitetura e formato inspirados em igrejas, sinagogas, até em templos hindus. A ideia era construir um lugar para unir e acolher todas as pessoas, de todas as religiões.

O bilhete para visitação custa MAD 120,00 ou USD 12,70 por pessoa. As visitas guiadas ocorrem de hora em hora. Nós acompanhamos um tour em espanhol.

Detalhes

Um taxista na Mesquita nos pediu 100 EUROS para nos levar de volta ao hotel. Ridículo! Pela cidade, além do trem, há uma espécie de bondinho (trem de superfície) que funcionam super bem. Andamos algumas quadras e pegamos o bondinho até o hotel. Pagamos MAD 8,00 ou USD 0,85 por pessoa. Beeeeem diferente dos EUR 100,00, não!? 😤

Fizemos checkout no hotel e pegamos um trem até Chefchaouen. O bilhete de ônibus custou MAD 150,00 ou USD 15,90 por pessoa. E o ônibus da empresa CTM era bem confortável.

Dia 3 e 4 – Chefchaouen 

Andamos o dia todo pela cidade de Chefchaouen. Percorremos a Medina e nos perdemos pelos labirintos da cidade azul do Marrocos.

Fomos até o mirante onde fica a Mesquita Jemma Bouzafar, de onde se tem uma linda vista da cidade. O caminho para o mirante passa por fora da Medina e também pelo rio que passa ao lado da cidade.

Chefchaouen

As ruelas azuis de Chefchaouen

Fomos até o Kasbah, construído em 1497 e perambulamos pela cidade até as pernas começarem a doer. Logo de frente para o Kasbah fica a praça Uta el-Hammam. Por ali você encontra diversos cafés e restaurantes.

➡️  Veja nosso post completo sobre Chefchaouen clicando aqui.

Nessa viagem não estamos fazendo compras, mas para quem quiser comprar lembrancinhas, a cidade oferece uma série de lojinhas que vendem de tudo. Os preços são bons e negociáveis.

Chefchaouen

Chefchaouen também possui um centro de informações turísticas. O pessoal, super solícito por sinal, nos deu algumas dicas do que fazer na cidade e arredores e ainda nos deu um mapa.

Fique atento!

Chegamos à noite em Chefchaouen. Não tivemos dificuldade em conseguir um táxi e até dividimos a corrida com um moço do Chile que conhecemos no ônibus. Porém, mal a corrida teve início e o “ajudante” do motorista veio nos oferecer maconha e haxixe. O fato é que muitas pessoas visitam a cidade por conta da erva.

Nós recusamos, ele insistiu, recusamos novamente até que ele simplesmente nos disse que nosso hotel era muito longe e que ele teria que nos deixar em um lugar afastado e que teríamos que andar por 20 minutos. Porém, como nós tínhamos o número de telefone do responsável pelo Airbnb que havíamos alugado, nós ligamos e pedimos ajuda. Então, especialmente se chegar na cidade à noite, procure saber a localização de seu hotel e de preferência tenha um número de telefone para poder ligar em caso de passar por algum aperto.

Dia 5 – Fez

Pegamos um ônibus de manhã até Fez. A empresa CTM também faz esse trajeto mas os bilhetes tendem a custar mais caro e o primeiro horário partia às 10h15m. Como queríamos viajar mais cedo, compramos com a empresa Nejme. O ônibus, além de ser mais simples que os da CTM, não tinha ar condicionado (o que deve ser um problema no verão) e a viagem durou 6 horas. Chegamos em Fez às 14h, deixamos nossas mochilas no Riad e fomos passear pela Medina.

As ruas das Medinas são tão estreitas que muitas vezes só são acessíveis por motocicletas e bicicletas. E animais são utilizados para transporte de cargas.

Os Riads são antigas casas marroquinas que hoje foram transformadas em hospedarias. Não há nada mais tradicional do que se hospedar nos Riads em uma viagem pelo Marrocos. É muito bacana! O único ponto “ruim”, se é que assim podemos dizer, é que os Riads ficam dentro das Medinas e é muito fácil se perder pelos labirintos tentando encontrá-los. Por isso nós acertamos previamente com um funcionário do nosso Riad e ele foi nos buscar em um lugar combinado, sem custo adicional.

Lembrando que em algumas cidades do Marrocos se alguém se oferecer para te guiar pelas ruas é porque ao final essa pessoa vai lhe pedir um dinheirinho. Fique atento!

Os famosos curtumes de Fez

Dia 6 – Fez

Nosso Riad incluía um farto café da manhã, o melhor que tivemos até agora! Depois de enchermos bem a pança nós saímos para explorar a cidade.

Fomos visitar os Curtumes, locais onde acontece o tratamento do couro. Como era inverno e não estava quente, o cheiro não estava forte. Mas dizem que no verão o cheiro de amônia e dos demais produtos utilizados no tratamento é bem forte.

➡️  Veja nosso post completo sobre Fez clicando aqui.

São vários os terraços de onde se pode ter uma vista bacana dos Curtumes. O guia Lonely Planet fala que o melhor é o terraço de número 10. E advinha só!? Encontramos pelo menos três que se auto-intitulavam como sendo o tal número 10…hahaha. O lance é que para subir nos terraços para ver os curtumes você tem que pagar. Pagamos MAD 10,00 ou USD 1,00 no primeiro e MAD 20,00 ou USD 2,00 no segundo.

Vista de um dos terraços para os Curtumes

Depois seguimos a pé para o bairro judeu de Fez. Pelo caminho passamos pelo Palácio Real, onde tiramos algumas fotos. No bairro judeu há uma sinagoga aberta à visitação. A visita custa MAD 20,00, mas em nossa opinião não vale a pena…rs.

Voltamos para o Blue Gate, o Bab Boujeloud, e almoçamos em um dos restaurantes ali da região. Todos eles vendem o menu completo, que vem com entrada (que pode ser sopa ou salada), prato principal (tajine, cuscuz, frango grelhado, espaguete, etc.) e sobremesa. O preço no cardápio é de MAD 70,00 ou USD 7,00 e as bebidas custam MAD 10,00 ou USD 1,00. Porém, se você negociar o menu sai por MAD 50,00, incluindo bebida.

Dia 7 – Meknès 

Pegamos um trem de manhã para Meknès. O bilhete custou MAD 22,00, ou USD 2,20, e a viagem durou em torno de 1h.

O bacana de Meknès é que a Medina não está voltada para o turismo. Ela mantém o conceito original de Medina, ou seja, um grande mercado feito pela e para a população local. Passamos boas horas andando por lá. Conhecemos também a Madrasa Bou Inania, de Meknès.

Madrasa Bou Inania, em Meknès

Neste dia nós teríamos também a opção de ir até Volubilis, ruínas de uma cidade romana próxima a Meknes. A dobradinha Meknes/Volubilis é bastante comum entre os viajantes.

Para Volubilis é possível ir de táxi compartilhado, o que faz com que a corrida não saia tão cara. Voltamos de trem para Fez já no fim do dia.

Dia 8 – Marraquexe 

Depois de tomarmos nosso delicioso e farto café da manhã nós pegamos um trem até Marraquexe. O bilhete custou MAD 206,00 ou USD 21,00 por pessoa. A viagem dura cerca de 8 horas.

Sim, nós “perdemos” o dia todo dentro do trem. Mas caso você prefira, há um ônibus noturno que faz o mesmo trajeto. Desta maneira você não perde o dia ainda economiza com hospedagem.

Dia 9 – Deserto do Saara

Nós fechamos nosso passeio de 3 dias com a empresa Marocco Excursions. Nosso guia nos pegou no hotel em Marraquexe às 8h da manhã e seguimos dirigindo através da cadeia de montanhas Atlas. Paramos rapidamente em Tizi -n-Tichka, o ponto mais alto da estrada, e continuamos através das curvas tortuosas da estrada.

As paisagens pelo caminho são belíssimas! E como era outono, tudo ficou mais bonito. Continuamos dirigindo até o Kasbah Ait Benhaddou, patrimônio da Unesco. O local foi cenário para gravações de diversos filmes, dentre os mais famosos Gladiador e a série sucesso do momento: Game of Thrones.

Kasbah Ait Benhaddou

Paramos para almoçar em Ouarzazate e compramos sabe o quê??? CERVEJA! Desde que chegamos no país será a primeira vez que vamos beber! Descobrimos que mesmo sendo um país de maioria muçulmana (muçulmanos não bebem) o Marrocos também produz cerveja. Que alegria!

➡️  Veja nosso post completo sobre o tour pelo Deserto do Saara clicando aqui.

Seguimos até a região de Ait Ben Ali, onde ficava nosso hotel, o Kasbah Auberge Tifawen. Um hotel bem bacana, com quartos grandes e uma linda varanda com uma super vista. O jantar e o café da manhã estavam incluídos.

Dia 10 – Deserto do Saara

Acordamos às 6h30m para assistirmos ao nascer do sol, tomamos café da manhã e às 8h já estávamos na estrada.

Paramos no Todra Valley para algumas fotos, seguimos até Tenhir e paramos na Todra Gorges… que lugar! De tirar o fôlego! Depois paramos em uma lojinha no meio do caminho onde tiramos fotos com roupas típicas berberes, de graça.

Todra Gorges

Paramos em um hotel em Merzouga apenas para deixarmos nossas mochilas. Pegamos apenas o necessário para passarmos a noite no deserto. Levamos somente um lenço e uma jaqueta, já que tomaríamos banho apenas no dia seguinte.

Visitar o Marrocos sem colocar um pezinho no deserto do Saara é como ir até Minas Gerais e não comer pão de queijo, né? Para nós, conhecer o deserto é parte obrigatória de uma viagem pelo Marrocos.

É uma experiência incrível! Caminhar pelo deserto do Saara era meu sonho desde quando era criança. Eu amei. Lázaro também adorou.

➡️  Veja nosso post completo sobre o tour pelo Deserto do Saara clicando aqui.

Paramos um pouco antes do acampamento para fazermos sandboard. Assistimos a um belíssimo pôr do sol e fomos conhecer nosso acampamento Berber.

Jantamos uma comidinha deliciosa, já que o jantar estava incluído no pacote, e depois nos sentamos ao redor da fogueira para ouvirmos música Beber. Tivemos a companhia de 4 garotas do Canadá e fechamos a noite de maneira muito divertida.

A nossa tenda tinha duas camas de casal com cobertores pesados e quentinhos. Foi uma delícia dormir assim, já que a temperatura lá fora beirava os 10 graus.

Tour pelo Deserto do Saara no Marrocos

Dia 11 – Retorno a Marraquexe 

Acordamos às 6h para seguirmos rumo ao hotel onde tínhamos deixado as mochilas. Paramos no meio do deserto para assistirmos o sol nascer. Ficamos observando esse lindo espetáculo por alguns minutos e continuamos até o hotel. Um belo café da manhã nos aguardava, novamente incluído no pacote, e um banho quentinho também! 

Com as energias renovadas, pegamos estrada rumo à Marraquexe.

Dia 12 – Marraquexe

Um dia inteiro em Marraquexe foi suficiente para sentirmos um pouco a vibe da cidade mais visitada do Marrocos.

Passeamos pela Medina, pela Praça Jemaa el-Fna e pela Mesquita Cutubia (ou Koutoubia Mosque). Fomos visitar os Curtumes e passamos pelo Palácio da Bahia.

Depois seguimos para a Madraça Ben Youssef e para o Palácio El Badi. Não tivemos tempo de conhecer o famoso Jardim Majorelle, mas dizem que é um dos lugares mais bonitos de Marraquexe.

Palácio El Badi

Detalhes do Bahia Palace

Mesquita Cutubia (ou Koutoubia Mosque)

Esses foram nossos 12 dias pelo Marrocos. Esperamos que tenha gostado. Aproveite e veja também:

🌎  Acompanhe nossa viagem de volta ao mundo através de nossa página no Facebook:

https://www.facebook.com/casalwanderlustoficial

Deixe uma resposta