Casal Wanderlust

Arrastando o sari pelo Taj Mahal

O Taj Mahal: uma das sete maravilhas do mundo moderno, o cartão postal mais famoso de toda a Índia e a construção que representa uma das mais belas provas de amor já conhecidas.

Estive na Índia em Setembro de 2011 em mais uma viagem no estilo “alone” (sozinha) 😊  E vou contar neste post como foi visitar um dos lugares mais famosos do mundo, descrevendo aqui tudo que eu vi, ouvi e senti ao me deparar com esta maravilha:

Taj

Um pouquinho de história

Tudo começa com Shah Jahan, um imperador Mogol. Isso mesmo: Mogol, sem o “n”. O Império Mogol (ou Mughal) dominou quase todo o norte da Índia entre os séculos 16 e 17. Seu fundador chamava-se Babur e era descendente de Gêngis Khan, aquele do poderoso Império Mongol (este sim, com “n”). Ficou curioso? Clique aqui para saber mais sobre os Mogóis.

Mas vamos lá, Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em homenagem à sua terceira esposa Aryumand Banu Begam (eita nome difícil), mas que após o casamento passou a ser conhecida como Mumtaz Mahal (“A joia do palácio” – ufa! Melhorou). Ela casou-se com o imperador aos 19 anos de idade, foi mãe de treze filhos e era a sua esposa preferida.

Mumtaz Mahal e Shah Jahan

Mumtaz Mahal e Shah Jahan

Mumtaz Mahal faleceu no parto do décimo quarto filho do casal em 1631. Deixando o Imperador tão devastado e tão triste que ordenou que fosse construído um monumento imponente, majestoso e único, em homenagem a sua amada esposa. Para que o mundo nunca se esquecesse. Assim, a maior prova de amor do mundo começaria a ser erguida:

Taj Mahal Agra

Já deu para perceber que o Taj Mahal não é um templo religioso e nem um palácio, né? Ele é na verdade um mausoléu – monumento funerário que abriga restos mortais.

A construção do Taj Mahal

Construído entre os anos de 1630 e 1652, ele é todo revestido de mármore branco, possui fios de ouro em sua cúpula e é todo ornamentado com pedras preciosas e semi-preciosas (dentre elas jade e cristal da China, turquesa do Tibet, lápis lazúlis do Afeganistão, ágatas do Yemen, etc.). Estima-se que mais de 20 mil operários trabalharam na obra. Gente de todo lado, inclusive artesãos da Ásia Central, do Irã e até da Europa foram chamados.

A complexidade de seu estilo arquitetônico faz com que o Taj seja uma das mais perfeitas construções já realizadas pelo homem. Uma obra prima!

Um guia me disse que as mãos dos artesãos foram cortadas após o final da construção para impedir que eles repetissem o feito em outros lugares. Será? Não acredito. Mas vá saber, né?

O nome Taj Mahal é uma variação curta de Mumtaz Mahal, sendo “Taj” de origem persa, que significa “coroa” e “Mahal” de origem arábica, que significa “lugar”.

Como chegar no Taj Mahal

O Taj fica em Agra, no estado de Uttar Pradesh, a 200 km de Nova Delhi. É totalmente acessível através do sistema ferroviário indiano. A viagem de trem dura em torno de 2h e 30min. O bilhete de ida e volta custa em média USD 10.00 numa classe bem “OK”. Falo isso porque o sistema de trens da Índia é dividido em nove classes. Sim, nove! Se quiser conhecer melhor clique aqui.

Também é possível ir de ônibus, de carro ou até mesmo em um táxi compartilhado, mas a viagem é mais longa, durará em torno de 4h. Na minha opinião os trens são sempre ótimas opções para que você possa interagir com diversos tipos de pessoas. A experiência deixa a viagem muito mais interessante.

Quanto custa

A entrada custa mais ou menos USD 14.00. Não é muito barato para os padrões indianos, mas vale cada centavo, com certeza!

Do local onde param os carros, táxis e demais transportes há uma distância de 1km para o portão de entrada. Dá para fazer este trajeto de charrete puxada por camelos. É bem baratinho, mas maltrata os animais 😔

Ou também dá pra ir a pé, de bicicleta ou tuk-tuk.

Transporte Taj Mahal

Atualmente junto com o bilhete de entrada você ganha uma proteção (tipo uma touquinha descartável) para colocar nos pés e desta maneira você pode entrar com seus próprios sapatos. Quando eu estive por lá tive que deixar meu chinelo nessa baguncinha aí…rsrs:

Sapatos Taj Mahal

O portão principal de entrada do Taj

O Darwaza é a principal entrada para o Taj Mahal:

Entrada Taj Mahal

Essa construção de arenito vermelho marca a entrada do complexo. Simbolicamente ele representa a entrada no mundo espiritual e, por isso, também é chamado de “Portão do Paraíso”. A área em torno do arco principal é decorada com versos do Alcorão.

Darwaza

O portão de entrada visto sob a perspectiva do Taj

A Mesquita e o Jawab

São dois edifícios simétricos idênticos construídos paralelamente ao Taj Mahal. A Mesquita, em arenito vermelho, foi erguida em direção a Meca (cidade da Arábia Saudita considerada sagrada para os muçulmanos). E o Jawab que significa “resposta”, serviu como um albergue para peregrinos e lugar de reunião dos fiéis antes da oração. Mas há quem diga que ele só foi construído por questões arquitetônicas, para dar ainda mais perfeição a simetria do complexo.

Mesquita Taj Mahal

Taj Mahal visto da mesquita

Taj Mahal visto da mesquita

Nesta imagem da internet dá para ver direitinho o Taj Mahl ao centro ladeado pela Mesquita e pelo Jawab:

Imagem de internet

O interior do Taj Mahal

Dentro dele não há nada demais. Só uma muvuca de gente se espremendo e andando em círculos em volta dos túmulos de Shah Jahan e Mumtaz Mahal. Mas é uma boa oportunidade para prestar atenção nos detalhes da incrustação com as pedras preciosas e semi-preciosas.

No centro do mausoléu, há um grande cômodo em formato octogonal onde estão os cenotáfios de Mumtaz Mahal e de Shah Jahan. Cenotáfio é um monumento fúnebre que representa o túmulo de alguém. Os verdadeiros restos mortais dos dois estão em um nível abaixo da construção. Um belo cercado de marfim, todo decorado, envolve os dois monumentos.

Dentro Taj Mahal

Detalhe dentro do Taj Mahal

O Agra Fort

Você pensou que perder a amada esposa no parto de seu décimo quarto filho tinha sido desgraça suficiente para o imperador Shah Jahan? Que nada! O “Rei do Mundo”, de acordo com a tradução de seu nome persa, ainda teve de enfrentar a ira de seu filho Aurangzeb, que além de lhe tomar o poder, ainda o aprisionou no Agra Fort, ou Forte de Agra.

Agra Fort

Foi neste local que Shah Jahan viveu seus últimos dias. Após sua morte em 1666, seu corpo foi sepultado ao lado de sua amada no Taj Mahal. Criou-se assim a única imperfeição assimétrica do local, que originalmente foi projetado para receber somente um túmulo.

A entrada para o Agra Fort custa 300 rúpias, algo em torno de USD 4.50. Porém se você apresentar o ticket do Taj você ganha um desconto de 50 rúpias.

Falarei mais sobre Agra nos próximos posts, durante nossa viagem de volta ao mundo. Aguarde!

O Sári

O Sári (ou Saree) na verdade não é uma peça de roupa. Você não o “veste”, digamos assim.  Ele é um tecido de 6 metros por 1,5 de largura enrolado no corpo. A versão original não possui costuras, nem botões, zíper, colchete, velcro, nada! Mas no meu tinha  😜

Comprei meu sári em Nova Déli, cidade onde fiquei 30 dias. Fui até um mercado local daqueles bem populares, onde quase não se vê turistas. Lá era possível escolher o tecido para o sári, tirar as medidas e encomendar a “confecção” na hora.

Loja de tecidos Nova Deli

O local não fecha para almoço e as refeições eram feitas ali mesmo, por cima dos tecidos.

Alfaiate Indiano

A Área da costura fica no subsolo da loja

Enquanto o alfaiate costurava meu sári eu bebia inúmeras xícaras do “masala chai”, o famoso chá indiano. Além de fazer amizades com as outras mulheres que também estavam ali aguardando suas encomendas. Não há maneira mais rica de “saborear” a cultura de um país do que o convívio com a população local.

Como usar o Sári

Outra questão interessante é que as indianas sabem muito bem como usar esses 6 metros de tecido enrolados no corpo, mas pra mim não foi tão simples não…rs. Primeiro que ninguém me explicou que era preciso ter um alfinete para prender a parte que cobre os ombros. Resultado: aquilo caia o tempo todo!

Como usar um sari

Eu passei uma certa vergonha graças a isso. Toda hora parte do meu sári caia. Nas minhas andanças pelo Taj teve um momento em que fui cercada por indianas tentando me explicar que da maneira que eu estava andando com o sári eu estava indecente. Elas foram muito gentis em tentar me ajudar a ajeitar aquilo tudo, mas como não falavam inglês, precisamos de um intérprete. Nos divertimos.

Saree

Ok, o sári original não tem botões nem colchetes. O meu tinha até elástico na cintura. E eu quase MORRI com aquilo me atochando o dia inteiro…hahaha.

Várias pessoas e famílias curiosas pediam para tirar foto comigo. Com os homens eu não tirava não, mas com as meninas sim! Acho que no mínimo elas estavam me achando engraçada, “diferentona” ou ridícula também, vá saber?

Mulheres de Sari

E pensar que já teve gente com a infeliz idéia de demolir o Taj para leiloar seus pedacinhos. Imagine? Por sorte desde 1983 ele passou a configurar a lista de patrimônios mundiais da Unesco. Hoje a única ameaça ao Taj é a poluição e, acredite: cocôs de insetos do poluído rio Yamuna, um dos principais afluentes do Ganges, que estão manchando as suas paredes.

Sem dúvidas o Taj Mahal é um lugar para encher os olhos e o coração de qualquer pessoa:

Taj Mahal

Nós passaremos pela Índia durante a nossa viagem de volta ao mundo. Afinal, o maridão também merece conhecer essa belezura. Não acham? 😊

19 comentários sobre “Arrastando o sari pelo Taj Mahal

  1. Gabi Moniz

    Sonhando em conhecer a Índia, principalmente depois que te conheci.
    Post lindo, com fotos fantásticas!
    Quem sabe um dia eu não arrasto o meu sari pelo Taj Mahal? 😉

  2. Marcele

    Todos os posts ate o momento estão ótimos, mas nem preciso dizer que esse e o meu favorito ne?! Quanta informação importante pra minha trip?! hihihihiihih Mandou ato bem, informações super úteis!

  3. Fabi

    Ca, você está se superando a cada post! Amei esse de você arrastando o Sari…rsrs
    Sem dúvida está na minha lista de lugares para conhecer

  4. Isabel

    Nossa que beleza amei o post quanta historia quanto aprendizado. Colorido fantastico. Ah o sari tava lindo. Sucesso pra voces e muitas viagens

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